Conheça o Clã de Isis Broken

Isis Broken conta tudo sobre seu primeiro single

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Isis Broken é uma artista sergipana influenciada pela cultura nordestina e que acompanha a vertente crescente de artistas LGBTQI+ que vêm se lançando na música brasileira nos últimos anos. Sucesso na internet já há algum tempo, por seu estilo e fotografia característica, Isis se lançou esse ano no mercado fonográfico com seu primeiro single.

A canção “O Clã” foi lançada no inicio de setembro e já vem ganhando bastante notoriedade por onde ela passa. É perceptível também que Broken recebe um imenso apoio de seus amigos e seguidores, que divulgam à todo momento o lançamento de seu novo trabalho.

Conversamos com ela para tirar algumas dúvidas sobre seu novo trabalho, confira:

Pelo que conhecemos de “O Clã”, podemos dizer que é uma canção autoral. Como foi o processo de composição desse single?

“O Brasil estava passando por alguns problemas políticos, eu estava pensando e recriando minha existência, e nesse momento crítico nasceu ‘O Clã’, eu acho que boas obras nascem desses momentos, são neles que chegamos ao extremo da nossa arte. Eu lembro que peguei uma caneta vermelha, não foi intencional, quando terminei de escrever parecia que o papel estava manchado de sangue, naquele momento percebi que tinha uma missão.”

Temos visto cada vez cantor@s da comunidade LGBTQI+ se lançando no cenário musical, isso tem um peso sobre sua escolha de cantar? Conta aí pra gente suas principais motivações. 

“Na minha infância existia pouca representatividade LGBTQ+, mas tive influencia de mulheres incríveis, Elke Maravilha é um exemplo, eu adorava aquele figurino excêntrico. Com a chegada da internet hoje ficou ‘mais fácil’ você mostrar seu trabalho, lógico que outros artistas me motivaram a acreditar que eu também poderia, mas meu principal objetivo e trazer uma contribuição material e espiritual ao meu público, se percebendo como deidade em processo de formação no meio disso tudo.”

Sergipe é um estado pequeno e que tem um lento crescimento da cultura Drag e Queer, isso te dá ainda mais força pela busca por representatividade? (Considero que você seja uma pioneira nesse quesito)

“Se depender de mim só tem a crescer, quero todas unidas, uma está dando a mão a outra, que puxa a outra, e assim passamos a ocupar mais espaços, precisamos estar em todos os lugares, representar cada voz, eu por exemplo, sinto necessidade de falar e mostrar a realidade de uma travesti do alto sertão sergipano, eu sei o que é, eu já vi, eu já passei, e é sobre essas múltiplas realidades que meu trabalho aborda.”

Mas eai, a bruxaria é de verdade ou é só uma sátira? Haha

“Na verdade a bruxaria é uma alegoria sobre quem somos e como somos tratados pela sociedade, a bruxa vive escondida na marginalidade religiosa, ou só se sente livre para sair ou ser quem é a noite. Mas eu também sou bruxa no sentido literal, gosto dessa relação holística com o mundo físico, espiritual e social.”

Como tem sido a recepção da música por onde você passa?

“Estou muito feliz com a recepção, todo mundo canta junto nos shows, tem uma galera super empenhada em fazer isso acontecer, e agora é só o início de uma era soturna e cheia de bruxaria pra vocês! A música ainda nem tem clipe e já tem uma repercussão incrível, só tenho a agradecer por todos que estão divulgando e ouvindo ‘O Clã’, orgulho das bruxas que criei.”

Eu amo saber dos detalhes técnicos de produção e direção de arte. E pelo que vi, “O Clã” tem uma linda identidade visual. Como funcionou a escolha de cada coisa? 

“A gente pensou num conceito maior, que é o resumo dessa era, ‘O Clã’ é uma ponta do meu EP de estréia ‘Bruxa do Cangaço’. Eu fui buscar a referência no Cangaço mesmo, a coroa que uso na capa, por exemplo, é uma alusão ao chapéu de Lampião e seu bando. Busquei elementos religiosos, culturais e antropológicos do meu povo nordestino, as parlendas, mitos, folguedos e a literatura de cordel que leio e ouço desde criança, por conta do meu avô que era cordelista e repentista, e o projeto tem um pouco disso tudo, eu na verdade fiz aquilo que estava com vontade de ver, ouvir e sentir.”

Por último, podemos esperar mais do single “O Clã”? Um Lyric vídeo ou clipe? Estamos ansiosos.

“Esperem um EP de remixes, está ficando incrível tem funk, pop, trance, dub… Só tem DJ incrível nesse projeto! E claro que vai ter clipe, já estamos fechando a produção, vai contar com grandes nomes da arte sergipana, Raimundo Venâncio vai dirigir os atores da companhia de teatro Raízes Nordestina, Zefa da Guia parteira e curandeira, entre outros, não vou falar muito pra não estragar as surpresas, mas esperem um clipe feito com todo amor e carinho do mundo.”

Um último recado da Isis pra você leitor: 

“Enquanto não sai, ouçam ‘O Clã’ em todas as plataformas, mandem pra outras bruxas, coloquem em suas playlists que vocês mais ouvem, vamos espalhar a palavra da Deusa.”

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