Você sabia que “relacionamento abusivo” não ocorre apenas entre pessoas?

Certamente, você também está em um e não faz a menor ideia

Vou começar com um exemplo prático: eu mesma.

Bem, eu tenho relacionamento abusivo com São Paulo. Sim, a cidade. Explicando minha própria percepção é a maneira mais simples de conseguir exemplificar e explicar a situação.

Eu AMO São Paulo… Mas a cidade me faz mal.

Adoro o fato de ter nascido por aqui, tenho orgulho de SP e já que era para encarnar no Brasil, que seja em SP! A terra da oportunidade, do emprego, das baladas, das compras… Afinal, o que não tem aqui? Assisto casos na TV de pessoas que moram de forma isolada e que se acontecer alguma emergência, o hospital mais próximo está há dezenas de quilômetros de distância e isso me dá uma agonia danada.

Turnês. Shows. Palestras. Pessoas internacionais. Empresas. Sedes. TUDO passa por aqui. Como viver e se acostumar com outro lugar menor?

Apesar de tudo, o trânsito é insuportável. O transporte lotado e o desrespeito é inaceitável. Ah, e a cidade também é “caos em pó” – basta adicionar água. Um lugar ligeiramente violento, com mais gente que vaca na Índia, a selva de pedra desigual… Ah, que vontade de ir embora desse lugar que me faz me sentir mal.

Mas, como abandonar São Paulo? Não posso deixá-lo. E ele não me deixa ir. Ele me diz que eu não acharia outro igual a ele, que me ofereceria tudo que ele me oferece. Odeio te amar, SP.

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